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Plantar uma árvore, conceber um filho, escrever um livro, dizem, completam o existir do homem(mulher). Eu acrescentaria: e construir e administrar uma pousada, em um sítio de praia dos tantos paradisíacos, ainda pouco explorados, que pontilham a costa nordestina.

Muitos já se lançaram nessa empreitada, abandonando carreiras profissionais de sucesso ou por motivo de aposentadoria, sempre buscando melhor qualidade de vida.

Da minha parte, vez que a pousada já foi construída e está aguardando vocês, resta escrever um livro, o que não está muito distante, pois não me falta motivação para esse novo desafio. A propósito, no livro pretendo narrar a saga do surgimento e fundação da comunidade da Praia da Redonda e as dezenas de estórias (de vários humores) que permeiam a existência dos redondeiros, remetendo-nos a uma outra Macondo.

Redonda é uma pequena comunidade de pescadores do litoral cearense, situada em Icapuí, a 180km de Fortaleza. A praia, de águas tépidas e calmas, em forma de enseada, é protegida por arrecifes em alguns trechos, circundada por dunas e falésias. A estreita faixa de terra entre as falésias e o mar só é suficiente para as casas dos que ali vivem. Os homens da praia dedicam-se à pesca artesanal da lagosta. São poucas as casas de veraneio e só agora as primeiras pousadas se instalam.

Mas voltando à pousada, tudo começou com um sonho acalentado por dez anos, até que um dia, ao contemplar de uma ponta no alto da falésia entre as praias da Redonda e Peroba (Icapuí-Ce) o verde-azul do Atlântico se estendendo de Canoa Quebrada às praias que marginam a cidade de Icapuí, veio o estalo.

Oh! Linda situação para uma pousada, foi a paráfrase inevitável que me ocorreu, lembrando o fundador da nossa amada Olinda, Pernambuco.

Um borbotão de idéias afluiu-me à cabeça então. Foi correr para o papel, registrá-las, e estava decretada assim a fundação da Oh! Linda Pousada.

Associados a essa inspiração súbita, porém, há fatos predecessores que naturalmente podem explicar essa espontânea explosão de idéias, vazadas a partir de manifestações subconscientes (ou coisa que o valha!). Mas isso já é assunto para a psicologia.

Oh! Linda Pousada, mais que titular a pousada, receberia e homenagearia as cores do carnaval e do casario de Olinda, sua cultura e sua arquitetura, seus blocos, clubes e troças, alguns quase centenários.

Essa folia de idéias (Eu Acho É Pouco!) subitamente afloradas, explica-se, talvez, pelo fato de que desde 1980  freqüento religiosamente o Carnaval de Olinda (maiúsculo, sim senhor!), Achando É Pouco os cinco dias, começando no Recife, onde o carnaval começa, no Galo da Madrugada, descendo as ladeiras de Olinda na folia sem igual atrás da Pitombeira dos Quatro Cantos fazendo o carnaval e terminando (antes do carnaval acabar, diga-se de passagem) no cheiro e no frevo do Bacalhau do Batata, na quarta-feira ingrata que chega tão depressa, frevisticamente estropiado e rouco de Olinda quero cantar a ti uma canção, louvando teus coqueirais, teu sol e teu mar, fazendo vibrar meu coração!

Com essa inspiração, entronizei na pousada um estandarte banhado de vermelho e dourado do Eu Acho é Pouco (com a licença oficial do Valdevan), tingi os chalés com as cores dos blocos principais e os batizei Eu Acho É Pouco, Pitombeira dos Quatro Cantos, Flor da Lira, Marins dos Caetés, Homem da Meia Noite, Ceroula, Elefante, Bloco da Saudade, Vassourinhas e Galo da Madrugada (Voltei Recife, foi a saudade que me trouxe pelo braço…), identificados também por mini-estandartes (foto do boneco, no caso do Homem da Meia Noite) afixados nas varandas dos chalés.

Mas a inspiração não parou aí. Venha circular pela Rua do Amparo, onde se brinca o melhor do carnaval de Olinda, desembocando no Salão Varadouro, nosso Salão de Eventos.

Mas cuidado para não se perder ou errar de bloco, digo, de rua e de chalé, quando enveredar pela 27 de Janeiro, São Bento, Bonsucesso…, passarelas que dão acesso aos chalés.

Venha conferir, vale a pena.

GERALDINHO DE OLINDA